António Costa e Luís Alves: dois portugueses condecorados em Kiev

António Costa e Luís Alves: dois portugueses condecorados em Kiev

O presidente do Conselho Europeu foi distinguido com a Ordem da Europa em Kiev, no dia em que se celebram os 35 anos da independência da Ucrânia.

Andrea Neves - correspondente da RTP Antena 1 em Bruxelas / Adicionar como fonte informativa
Foto: Gleb Garanich - Reuters

António Costa recebeu a distinção em nome dos Chefes de Estado e de Governo dos 27 Estados-membros da União Europeia.

“Hoje, também tenho a honra de aceitar a Ordem da Europa — um símbolo da unidade que nos une. Aceito-a também em nome dos chefes de Estado e de Governo da União Europeia, meus colegas do Conselho Europeu”.

“O Conselho Europeu reuniu-se no primeiro dia da guerra em grande escala da Rússia, em 24 de fevereiro de 2022, para galvanizar o apoio europeu à Ucrânia. A solidariedade europeia tem sido forte e inabalável desde então. Sempre estivemos convosco, prestando apoio político, financeiro, humanitário, militar e diplomático. E na construção conjunta da Coligação de Vontades, que vos proporcionará fortes garantias de segurança quando esta terrível guerra terminar. Para que nunca mais aconteça”.



António Costa referiu ainda que a União Europeia vai continuar “a prestar todo o apoio necessário, durante o período da guerra, nas futuras negociações de paz e na reconstrução. Porque a nossa visão vai além da guerra, e o futuro da Ucrânia na União Europeia é a melhor garantia de segurança e estabilidade democrática a longo prazo para a Ucrânia e para a Europa como um todo”.
A União Europeia não é neutral

O Presidente do Conselho Europeu reforçou em Kiev que “a União Europeia não pode ser neutra quando o direito internacional está sendo violado. Não somos neutros. Apoiamos a Ucrânia. Apoiamos todas as iniciativas sérias que visam alcançar a paz na Ucrânia. Mas, em última análise, é a Ucrânia, e somente a Ucrânia, que deve definir os termos de uma paz abrangente, justa e duradoura".

“O direito internacional deve prevalecer. A Rússia não prevalecerá após mais de quatro anos de guerra em grande escala. Neste verão, mais do que nunca, a Rússia não alcançou seus objetivos. Podemos ver que a guerra está a drenar os recursos da Rússia. As nossas sanções sem precedentes também estão a surtir efeito. Intensificaremos a pressão até que a Rússia cesse as mortes e demonstre um compromisso genuíno com a paz” referiu António Costa na cerimónia na capital ucraniana.
Um português que trabalha pela juventude

Luís Alves foi o único estrangeiro não Chefe de Estado ou de Governo a receber uma condecoração das mãos do Presidente Ucraniano.

O Diretor da Agência Nacional Eramus+ Juventude em Ação recebeu a distinção com emoção em Kiev.

“Foi uma emoção muito grande de ter recebido a condecoração da Ordem de Mérito da Ucrânia pelas mãos do próprio presidente Zelensky, ainda por cima numa data tão simbólica, tão importante na história da Ucrânia, a celebração dos 35 anos da independência da Ucrânia, e num momento tão desafiante para a própria independência da Ucrânia.
Luís Alves admite, em conversa com a RTP Antena 1, que foi um dia de emoções contraditórias.

“E, infelizmente, foram muitos os que combateram na linha da frente e que ficaram feridos, que receberam a condecoração, alguns que morreram por este combate, pela independência e a soberania da Ucrânia e pela liberdade da Ucrânia. E portanto, houve uma divisão das minhas emoções por ter recebido a distinção nestas circunstâncias. Com este nível de emoção que marcou toda a cerimónia de atribuição destas condecorações”.

O Diretor da Agência Nacional Erasmus+ refere que "esta condecoração, de alguma maneira, assinala um caminho que temos feito em conjunto com as instituições ucranianas, com o Governo ucraniano, com as organizações do país, mobilizando as agências europeias no domínio do Erasmus+, no sentido de colocar estes programas ao serviço da cooperação enquanto instrumento de cooperação com a Ucrânia".

“A verdade é que no início desta guerra infame ou da invasão em grande escala por parte da Rússia, pareceu um pouco inusitado apresentar o Erasmus+ como instrumento de cooperação com a Ucrânia, numa altura em que as necessidades eram exigentes em múltiplos domínios e, porventura em domínios que pareceriam mais emergentes".

"Mas, em conjunto, fomos capazes de colocar este programa, enquanto instrumento de cooperação, não apenas como uma afirmação da confiança e da esperança no futuro da Ucrânia, mas também como um instrumento de cooperação, de apoio às organizações de juventude, de apoio às políticas públicas de juventude, de dar respostas reais às necessidades dos jovens desde já, e não apenas projeções sobre coisas que podemos fazer em conjunto usando estes programas.E é isso que temos feito em conjunto".

“De alguma maneira, esta condecoração da Ordem de Mérito da Ucrânia, que hoje me foi atribuída, interpreto sobretudo como um reconhecimento deste trabalho conjunto que temos feito mobilizando todos os países europeus” refere Luís Alves.

Luís Alves foi distinguido pela ponte que fez entre o programa Erasmus+ da União Europeia, e os jovens ucranianos e tem planos para o futuro. Foto cedida por Luís Alves

“O Erasmus+ é bem mais do que apenas um programa de apoio à mobilidade dos jovens. Tem essa dimensão, sim, e essa é uma dimensão importante do programa. Mas hoje é um instrumento para cumprir outros objetivos no domínio das políticas de juventude, na formação dos técnicos de juventude, no apoio ao desenvolvimento de melhores políticas públicas neste domínio, de apoio também aos educadores”.

O Diretor da Agência Nacional Erasmus+ reforça que “houve necessidades de readaptação de todo o sistema de ensino na Ucrânia”.

“Mas houve também muitos jovens deslocados para outros países europeus que mantiveram uma ligação a esse sistema de ensino, mas que também passaram, com estes programas, a ser protagonistas deste esforço de cooperação com a Ucrânia e também um esforço de integração destes jovens nos vários países europeus. É esse caminho que nos propomos continuar a prosseguir”. 
 “Mas também temos um objetivo muito claro e temos incentivando essa agenda, e mobilizado todos os nossos parceiros nesse sentido: a ideia de que a Ucrânia possa ser, num futuro muito breve, também um país programa. Esse é um estatuto diferente que permitiria à Ucrânia beneficiar destas oportunidades de outra maneira”.

“Mas, sobretudo, eu diria que seria um avanço muito significativo num processo de integração europeia que se for vivido, que se for experimentado na primeira pessoa e depois também muito mais facilmente consequente no plano institucional. E, de facto, o Erasmus+ anda à frente das políticas públicas e anda sempre à frente também da dimensão institucional do caminho de integração europeia, pelo qual estamos também todos comprometidos".
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